Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
(Carlos Drummond de Andrade)
A Fragata "D.Fernando II e Glória", o último grande navio à vela da Marinha Portuguesa e também a última "Nau" a fazer a chamada "Carreira da Índia" – verdadeira linha militar regular que, desde o século XVI e durante mais de 3 séculos, fez a ligação entre Portugal e aquela antiga colónia – foi o último grande navio que os estaleiros do antigo Arsenal Real de Marinha de Damão construíram para a nossa Marinha.
Hoje dediquei-me a pensar e a escrever sobre algo que me tem vindo a deixar apreensiva: a maneira como lidamos com outras filosofias de vida que não a nossa. Ocorrem-me de tempos a tempos, sobretudo em dias mais tristes, pedaços de frases soltas ouvidas ou lidas algures, palavras que ecoam na minha memória, e que me deram que pensar geralmente não pelos melhores motivos. Frases em que fui surpreendida pela arrogância e pelo elitismo mais ou menos assumido que me rodeava.
Fez-me pensar o quanto é fácil para eles julgar todos os outros, considerá-los à partida e por definição um fracasso, nem que seja a fim de mostrarem aos outros (e sobretudo talvez a si próprios) as suas conquistas e virtudes. Este discurso com as suas muitas variações tem a capacidade de me enfurecer e mais tarde de me entristecer, por lamentar sobretudo a visão limitada e limitativa que têm da vida e da sociedade onde a vivemos. Talvez também seja mais fácil julgar a vida dos outros do que compreender que existem outras maneiras de ver a mesma realidade, que certamente não serão menos legitimas. Talvez mais elementar ainda: entender que a vida de cada um pertence a esse individuo e em ultima analise ele tem o direito de decidir o que fazer dela (desde que cumpra as regras em que a sociedade se baseia, ou seja desde que cumpra a lei) e as suas decisões podem e devem merecer o nosso respeito, concordemos com elas ou não. Dito de outra maneira, muitos de nós, senão mesmo todos nós, devemos aprender a viver e deixar viver.![]() |
| Ponte 25 de Abril - Lisboa |