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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Olhar..



Se o olhar fala?
Tenho a certeza que sim...
Ou melhor, percebo-o assim.
O grande desafio é interpretá-lo, decifrá-lo,
Perceber as suas nuances...
Os seus desvios de direcção para nada ser dito,
Os seus desvios de direcção para nada ser lido...
O olhar fala...
Sem meias palavras e sem palavras inteiras,
Porém com pensamentos completos.
Simples forma de um complexo e profundo diálogo,
Ainda que o revelar não seja o pretendido.
Vale a capacidade de vê-lo, percebê-lo...
Um mergulhar da íris na obscuridade,
Repleta de cores a colorir as páginas da vida...
Se o olhar fala?
Tenho a certeza que sim...

(Tino)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Superstition




Security is mostly a superstition. It does not exist in nature.... Life is either a daring adventure or nothing.
 (Helen Keller)



terça-feira, 5 de abril de 2011

Quando o crepúsculo beija a tarde...




Ponte Vasco da Gama - Lisboa - Portugal


Oceanário - Parque das Nações - Lisboa - Portugal


SIMBA






Ei-lo, quieto, a cismar, como em grave sigilo,
vendo tudo através da cor verde dos olhos,
onça que não cresceu, hoje é um gato tranquilo.
 A sua vida é um "manso lago", sem escolhos...
Não ama a lua, nem telhado a velho estilo.
De uma rica almofada entre os suaves refolhos,
 prefere ronronar, em gracioso cochilo,
 vendo tudo através da cor verde dos olhos.
Poderia ser mau, fosforescente espanto,
pequenino terror dos pássaros;
no entanto, se fez um professor de silêncio e virtude.
Gato que sonha assim,
se algum dia o entenderdes,
vereis quanto é feliz uma alma que se ilude,
 e olha a vida através da cor de uns olhos verdes.
                       
(Cassiano Ricardo)




O Simba partiu, aos 16 anos.
Enquanto ainda oiço o seu ronronar pela casa,
imagino-o esticado ao sol, rodeado de borboletas
no Paraíso dos gatos.


domingo, 3 de abril de 2011

Portas...


Há os vãos,
Os alçapões pesados
Dos desvãos
Há os trincos,
As fechaduras
Os degredos,
Os segredos,
Há de haver...


Há um vento que surrupia
Os chãos
Ao entrarem em oressas
Às madeiras frias...

Há correntes que
Formam retas,
Erguem-se tortas
Em curvas avessas
À direção inversa da janela...


Há a pressa
De antever
O que interessa....
Que a porta balança,
Range as dobras
E logo se fecha
(Coragem de querer saber,
Há de haver...)

Há a falta de luz
E a fraca luz amarela
Que conduz
À sensação do derredor...


Há o fitar exangue,
A visão entregue
Daquele que pouco vê
E enxerga a negra cor
(Vê bem o que não vê
E crê no que pode...)


Há a porta fechada,
Lacrada
De possíveis
Impossibilidades...

Há um queixo torto
No desleixo
D’uma brecha entreaberta,
Displicente, quase entregue
À visão indisposta
Do que acontece porta afora...




Há os corpos
Muitos corpos
De carnes bem-dispostas...
Há os atos impostos
Por detrás
Das vidas decompostas
Ao longo das portas...



Toma-me o vai-e-vem
Dessas costas arcadas...
Há, sim, alegria,
E há, pois não, o desdém
Do atravessar dos batentes...


Ouço murros:
Uma porta batida
D'outro lado, ninguém...
(Uma outra bate também...)


Percebo raivas, mágoas
Fendendo portas recentes
Fincando-se nos batentes,
Nos horizontes das soleiras...
Saraivadas de emoções minhas,
Represadas, aos montes...


Há a porta de ontem
De aquém
E aquela de
Além de além-nada
Essa está estancada
Com há de ser
Esperando o tempo
Enferrujá-la



Há de abrir-se,
Por fim, uma porta festejada...
Descoberta do suor
Do meu transpor
De tantas e tantas portas...


Essa... mais do que tudo,
Mais do que nada
Ah, mesmo por ser arrombada,
Essa porta há de haver...

(Gê Muniz)

"Caminho do Sol"




Toma a tua vida em tuas mãos, e não entregues a direcção dela a ninguém.
Por mais que te amem, por mais que desejem o teu bem, só tu és capaz de sentir o que realmente sentes, e a impressão que passas aos outros, nem sempre corresponde ao que vai na tua alma.
Quantas vezes já sorriste para disfarçar uma lágrima teimosa?
Quantas vezes quiseste gritar e sufocaste o pranto?
Quantas vezes quiseste sair correndo de algum lugar e ficaste por educação, respeito ou medo?
Quantas vezes desejaste apenas um beijo, e a boca ficou seca esperando o que não veio?
Quantas vezes tudo o que desejavas era apenas um abraço, um consolo, uma palavra amiga e só recebeste ingratidão?
Quantos passos foram necessários para chegar até onde chegaste?
Quantos sabem dar valor ao que realmente mereces?
Criticar é fácil, mas usar o teu sapato ninguém quer, vestir as tuas dores ninguém quer, saber dos teus problemas, só se for por curiosidade, por isso, não entregues a tua vida nas mãos de ninguém, nada de acreditar que sem essa ou aquela pessoa, não vais mais viver...
Vais viver sim, o mundo continua girando, e se deixares, pode te trazer algo muito melhor.
Pega a direcção da tua vida e aponta rumo ao Sul, lá onde a placa diz "caminho do sol", bem na curva da felicidade, que te espera sem pressa, para viver com amor e intensidade, a paz, a harmonia e a felicidade.

(Paulo Roberto Gaefke)