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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Deserto

Dunas de Erg-Chebbi - Marrocos

Banhado pelo som do silêncio, interrompido de quando em vez pelo ruído da areia que toca o cume das dunas, é um lugar de excelência que convida à paz e à reflexão.
Aqui, neste deserto de areia fina que escorre por entre os pés descalços, eu sentei... e chorei!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Pôr-do-Sol


E se aquele pôr do sol fosse eu?
Se eu desaparecesse assim?
A minha vida, e tudo o que sucedeu...
Eu não passaria de uma flor de jardim
E na verdade, posso não ser o pôr do sol
Mas os momentos são mais fugazes que isso
E o tempo algo extremamente impreciso

Eu, eu sou apenas uma folha ao vento
Vendo mil pôr do sois
Aproveitanto cada escasso raio, cada momento
Mas não consigo ter a segurança da manhã
Não me fio em Deus, sou como que pagã
E miro o pôr do sol, temendo a noite
E agradecendo a sorte
De um ultimo raio de luz
Daquele doce brilho, que tanto me aquece
Essa luz que me esquece
Mas que tanto me seduz...
de Sara Oriana

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Tippi


Recebi este mail de uma amiga e não resisti a postar porque é, de facto, delicioso.
Aqui eu não gostaria só de ter sido a fotógrafa, mas mais importante do que isso, eu gostaria de ter sido protagonista.

Esta garota francesa, Tippi, nasceu na Namíbia, África, em 1990. Cresceu na selva com os seus pais, que são uns apaixonados por fotografia da natureza. Eles documentaram a vida dela com os animais.











 

Depoimento






Deponho
no processo do meu crime.
Sou testemunha
E réu
E vítima
E juiz
Juro

Que havia um muro,
E na face do muro uma palavra a giz.
MERDA! – lembro-me bem.
– Crianças......
– disse alguém que ia a passar.
Mas voltei novamente a soletrar
O vocábulo indecente,
E de repente
Como quem adivinha,
Numa tristeza já de penitente
Vi que a letra era minha.....
Miguel Torga

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sem o Sol, Não Existe o Dia


O Nascer e o Pôr do Sol no Alentejo




Sem o Sol,
Não existe o dia
Sem um sorriso,
Não existe alegria

Sem ferida,
Não existe dor
Sem amar,
Não existe amor

Sem o frio,
Não existe inverno
Sem o pra sempre
Não existe o eterno

Adriel G. C. Dutra de Moraes

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Nau de corvos



Conta a história que....

O corpo de S. Vicente, diácono de Saragoça, martirizado em Valência durante as perseguições de Diocleciano, no ano de 303, foi trazido para Sagres pelos moçárabes de Espanha, onde permaneceu até 1173. Nesse ano, por iniciativa de D. Afonso Henriques, os ossos do santo são trasladados para Lisboa, num acto político e religioso de grande transcendência, pois a presença das relíquias do santo, que haviam resistido a todas as tentativas dos romanos para as destruírem, iriam conferir à Cidade o dom da perenidade.
Figuram, por isso, nas armas de Lisboa, dois corvos pousados numa caravela, um à proa outro à pôpa, em atitude vigilante, os quais, segundo a lenda, acompanharam o corpo do santo durante toda a viagem, de Sagres até Lisboa.
S. Vicente foi, desde então, reconhecido como padroeiro da cidade. Com culto estabelecido há centenas de anos, tem a sua figura representada nos Painéis de Nuno Gonçalves, também chamados de S. Vicente.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Fonte de Pedra


Coimbra


Aqui, na fonte de pedra escorregadia,
Ou entre as árvores que o musgo acaricia,
Do corpo a veste enfim despindo
Minha alma para os ramos vai subindo:
Neles pousa, como um pássaro e, trinando,
As asas com o bico vai alisando;
E, até estar preparado para voo mais alongado,
Reflecte em suas plumas os Matizes variegados.

In Pensamentos Secretos, David Lodge