Recebi este mail de uma amiga e não resisti a postar porque é, de facto, delicioso. Aqui eu não gostaria só de ter sido a fotógrafa, mas mais importante do que isso, eu gostaria de ter sido protagonista. Esta garota francesa, Tippi, nasceu na Namíbia, África, em 1990. Cresceu na selva com os seus pais, que são uns apaixonados por fotografia da natureza. Eles documentaram a vida dela com os animais. |
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Depoimento
Deponho
no processo do meu crime.
Sou testemunha
E réu
E vítima
E juiz
Juro
Que havia um muro,
E na face do muro uma palavra a giz.
MERDA! – lembro-me bem.
– Crianças......
– disse alguém que ia a passar.
Mas voltei novamente a soletrar
O vocábulo indecente,
E de repente
Como quem adivinha,
Numa tristeza já de penitente
Vi que a letra era minha.....
Miguel Torga
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Sem o Sol, Não Existe o Dia
O Nascer e o Pôr do Sol no Alentejo
Sem o Sol,
Não existe o dia
Sem um sorriso,
Não existe alegria
Sem ferida,
Não existe dor
Sem amar,
Não existe amor
Sem o frio,
Não existe inverno
Sem o pra sempre
Não existe o eterno
Adriel G. C. Dutra de Moraes
Não existe o dia
Sem um sorriso,
Não existe alegria
Sem ferida,
Não existe dor
Sem amar,
Não existe amor
Sem o frio,
Não existe inverno
Sem o pra sempre
Não existe o eterno
Adriel G. C. Dutra de Moraes
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Nau de corvos
Conta a história que....
O corpo de S. Vicente, diácono de Saragoça, martirizado em Valência durante as perseguições de Diocleciano, no ano de 303, foi trazido para Sagres pelos moçárabes de Espanha, onde permaneceu até 1173. Nesse ano, por iniciativa de D. Afonso Henriques, os ossos do santo são trasladados para Lisboa, num acto político e religioso de grande transcendência, pois a presença das relíquias do santo, que haviam resistido a todas as tentativas dos romanos para as destruírem, iriam conferir à Cidade o dom da perenidade.
Figuram, por isso, nas armas de Lisboa, dois corvos pousados numa caravela, um à proa outro à pôpa, em atitude vigilante, os quais, segundo a lenda, acompanharam o corpo do santo durante toda a viagem, de Sagres até Lisboa.
S. Vicente foi, desde então, reconhecido como padroeiro da cidade. Com culto estabelecido há centenas de anos, tem a sua figura representada nos Painéis de Nuno Gonçalves, também chamados de S. Vicente.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Fonte de Pedra
![]() |
| Coimbra |
Aqui, na fonte de pedra escorregadia,
Ou entre as árvores que o musgo acaricia,
Do corpo a veste enfim despindo
Minha alma para os ramos vai subindo:
Neles pousa, como um pássaro e, trinando,
As asas com o bico vai alisando;
E, até estar preparado para voo mais alongado,
Reflecte em suas plumas os Matizes variegados.
In Pensamentos Secretos, David Lodge
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Nau Lusitana
O MOSTRENGO
O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!
O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!
(Fernando Pessoa)
terça-feira, 23 de novembro de 2010
The power of love
Subscrever:
Mensagens (Atom)








